• Publicado por: Julio Martins
  • Postado: 03/08/2016

Taxa de Juros: Qual é o custo do dinheiro?

http://bellyvision.net/wp-content/uploads/fusion-styles/fusion-395.css?timestamp=1552055276 taxa de jurosMuito se ouve no noticiário nacional e internacional sobre Taxa de Juros, Curva de Juros, Juros Futuros e outras derivações relacionadas a Juros. Mas afinal, o que essa tal Taxa de Juros significa na prática?

look at here A manipulação da Taxa Básica de Juros é a principal ferramenta de política monetária de governos e Bancos Centrais para o controle da inflação. Isso significa que através da taxa de juros o BC pode estimular ou frear o consumo do país e, com isso, influenciar a inflação na economia.

Poucas pessoas enxergam o dinheiro de uma economia como uma mercadoria, sujeita às mesmas forças de mercado que qualquer outra. A Taxa de Juros pode ser entendida como o custo dessa mercadoria. Do lado do poupador, a Taxa de Juros é o que se ganha por esta poupança. Do lado do captador, a Taxa de Juros é o preço que se paga por esta mercadoria (dinheiro). Este captador fará investimentos que precisarão render a ele um volume maior do que aquele pago pelo dinheiro (juros).

Um exemplo da utilização da Taxa de Juros como instrumento de política monetária ocorreu recentemente no Japão, quando o governo nipônico decidiu implantar juros negativos para depósitos bancários. O que isso representou? A decisão fez com que os investidores que tinham aplicações financeiras no país tivessem uma remuneração nominal negativa, ou seja, quem deixasse o dinheiro investido nos bancos japoneses, observaria um saldo menor no mês seguinte, mesmo sem ter feito saques durante o período. E por que o BC Japonês fez isso? O principal motivo para essa atitude foi o de estimular a economia japonesa e combater a deflação. Se a aplicação faz com que o investidor perca dinheiro, é melhor para ele gastar agora do que guardar para o futuro quando o valor será menor. Isso faz com que mais dinheiro seja colocado em circulação, consequentemente estimulando a economia do país.

No Brasil o uso da ferramenta não é diferente. O COPOM (Comitê de Política Monetária), hoje sob o comando do presidente do Banco Central do Brasil Ilan Goldfajn, decidiu na reunião do último dia 20 de julho, manter a SELIC, nossa taxa básica de juros, no patamar de 14,25% (alta para os padrões mundiais, que hoje está em torno de 3,46%, segundo o site especializado Moneyou). Mas isso parece um paradoxo, já que acabamos de ler que é justamente a redução de juros que estimula a economia, e nosso país se encontra em uma das maiores recessões econômicas já vistas em sua história.

Então por que o Bacen não reduz a SELIC e volta a estimular o consumo dos brasileiros? Apesar de esse ser o desejo do governo executivo do Brasil, na figura do Presidente Interino Michel Temer, o Banco Central tem o compromisso de manter a inflação (índice de referência: IPCA) dentro da meta, que hoje está em 4,5%, e que fechou em junho em 9% no acumulado dos últimos 12 meses. Dessa forma, apesar da retração econômica que vivemos, o COPOM não se sentiu confortável para reduzir a SELIC, estimular o consumo e correr o risco de perder o controle da inflação.

Agora que já entendemos como funciona a política da Taxa de Juros, o que significam “Juros Futuros”? Os Contratos de Juros Futuros são negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), no caso do Brasil, e permitem que investidores e especuladores contratem uma taxa de juros para um vencimento específico, seja com o objetivo de investir, seja com o intuito de buscar uma proteção (hedge) a oscilações na curva de juros.

De maneira resumida, procuramos apresentar algumas facetas dos Juros e sua influência na economia. Quando compreendemos melhor qual é o custo do nosso dinheiro, temos melhores condições de decidir o que fazer com ele.

Escrito por Douglas Gontijo